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Quando, numa manhã de terça-feira de setembro, estava sentada num espaço de coworking em Taipé a fazer as minhas videochamadas, enquanto lá fora, à janela, o trânsito passava pela Zhongxiao East Road, percebi: Taiwan era exatamente o que eu procurava para a minha workation. O meu relato de experiência em Taiwan começa com uma decisão que tomei três meses antes: em vez de voar, como é habitual, para o sul da Europa, queria descobrir se a Ásia funciona para uma trabalhadora remota.

Seis semanas entre a infraestrutura de ponta de Taipé e os desfiladeiros de cortar a respiração do Parque Nacional de Taroko mostraram-me que Taiwan é um dos destinos mais subestimados para trabalho remoto. Neste relato de experiência em Taiwan partilho as minhas impressões sinceras, custos concretos e também os desafios que não esperava.

Porque é que Taiwan é perfeito para trabalho remoto

Taiwan surpreendeu-me desde o primeiro minuto. A internet no meu Airbnb em Taipé dava constantemente 150 Mbit/s de download e, mesmo em zonas rurais, nunca tive menos de 50 Mbit/s. Segundo o Speedtest Global Index de 2024, Taiwan ocupa o 9.º lugar mundial em velocidades de internet móvel, com uma média de 142,94 Mbit/s. Para comparação: é mais do dobro da velocidade da Áustria.

A diferença horária em relação à Europa Central é, consoante o horário de verão ou de inverno, de seis a sete horas. No início pensei que isso tornaria impossível o trabalho remoto em Taiwan, mas desenvolvi um ritmo: de manhã, entre as 6 e as 9 horas locais, despachava e-mails e tarefas assíncronas e, a partir das 15 horas, estava disponível para reuniões com clientes em Viena. Mais dicas para ultrapassar este tipo de desafios encontra-as no meu artigo sobre como lidar com a diferença horária em workations.

Viver e trabalhar em Taipé: as minhas primeiras três semanas

Vivi no bairro de Da'an, bem situado entre as estações de metro Zhongxiao Fuxing e Daan Park. O meu apartamento de 35 metros quadrados custava, em euros, 620 por mês, bastante mais barato do que estúdios comparáveis em Viena. O bairro é popular entre os jovens taiwaneses: há inúmeros cafés, night markets como o Tonghua Night Market e espaços de coworking modernos.

Nos meus dias de trabalho usei sobretudo o CIT Taipei, no distrito de Xinyi. O passe diário custa 400 TWD (cerca de 12 euros), um passe mensal 6.000 TWD (cerca de 180 euros). O espaço fica num arranha-céus com vista para o Taipei 101 e oferece, além de Wi-Fi rápido, salas de reuniões e um terraço. Mais opções internacionais para nómadas digitais apresento no meu artigo sobre espaços de coworking em todo o mundo.

O dia a dia entre trabalho e cultura

O meu dia de trabalho típico começava por volta das 7 horas com um pequeno-almoço no Fika Fika Cafe, na Anhe Road, conhecido pelos seus pãezinhos de canela de inspiração escandinava e pelo café taiwanês. Depois de seis a oito horas de trabalho, explorava a cidade: o templo Longshan, no velho distrito de Wanhua, as exposições do National Palace Museum ou simplesmente um passeio pelas vielas de Shilin.

O custo de vida em Taipé é moderado. Uma refeição num restaurante local custa 80 a 150 TWD (2,50 a 4,50 euros), um café cerca de 100 TWD (3 euros). Gastei, em média, 35 euros por dia, incluindo alojamento, comida, transportes e atividades de lazer. Isso deu, no total, quase 1.050 euros por três semanas em Taipé.

Parque Nacional de Taroko: trabalho remoto na natureza

Depois de três semanas na capital, tinha saudades da natureza. Fui de comboio de Taipé a Hualien, uma viagem de quatro horas ao longo da costa leste por 440 TWD (13 euros). De Hualien são apenas 30 minutos de autocarro até à entrada do Parque Nacional de Taroko. Aluguei uma pequena casa de hóspedes em Tianxiang, uma aldeia minúscula no meio do parque, por 450 TWD por noite (cerca de 13,50 euros).

Foi aqui que o meu relato de experiência em Taiwan se tornou selvagem: de manhã caminhava pelos desfiladeiros de mármore do Shakadang Trail ou até ao Eternal Spring Shrine, à tarde trabalhava na varanda da minha casa de hóspedes. A internet era mais lenta, com 20 Mbit/s, mas chegava para videoconferências. O maior desafio foi a humidade do ar, de que o meu portátil não gostou. Uma pequena ventoinha e pausas regulares ajudaram.

Passeios de fim de semana em Hualien

Aos fins de semana explorava a costa. A Qixingtan Beach, uma praia de seixos mesmo junto ao Pacífico, tornou-se o meu sítio preferido para desligar. Em Hualien City visitei o Dongdamen Night Market, onde provei pela primeira vez tofu fedorento – uma experiência que divide opiniões. O ambiente descontraído da costa leste foi o contraste perfeito com a agitação de Taipé.

Visto e obstáculos burocráticos

Como cidadã austríaca, recebi à entrada um visto gratuito de 90 dias. Taiwan é um dos poucos países asiáticos que concedem estadia sem visto a cidadãos da UE. Importante: com ele não se pode trabalhar oficialmente, mas o trabalho remoto para entidades empregadoras estrangeiras é tolerado, desde que não se assuma um emprego local.

Para estadias mais longas existe desde 2022 o programa Gold Card para profissionais altamente qualificados. Permite uma estadia até três anos com autorização de trabalho. Os requisitos são, porém, rigorosos: é preciso trabalhar numa área STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática), comprovar um salário de, pelo menos, 160.000 TWD por mês (cerca de 4.800 euros) ou demonstrar êxitos profissionais especiais.

Como precaução, contratei um seguro de saúde internacional que também vale na Ásia. Detalhes sobre a necessidade e a cobertura deste tipo de seguros explico-os no meu artigo sobre a obrigação de seguro de saúde no estrangeiro.

O lado menos bom: o que me surpreendeu

Taiwan como trabalhadora remota: 6 semanas de aventura

Nem tudo foi perfeito. Taiwan é incrivelmente seguro e limpo, mas a barreira linguística foi maior do que o esperado. Fora de Taipé, poucas pessoas falam inglês. Em Tianxiang, no Parque Nacional de Taroko, comunicava muitas vezes através do Google Tradutor ou com gestos. Funcionava, mas por vezes era frustrante.

O clima tropical também me custou. Em setembro, havia em Taipé 32 graus com 80 por cento de humidade. Só o caminho até ao espaço de coworking já era de suar. Os taiwaneses vivem entre espaços climatizados, o que para mim exigiu adaptação. A minha conta de eletricidade de três semanas foi, em euros, de 45, principalmente por causa do ar condicionado.

Outro ponto: Taiwan é mais caro do que a Tailândia ou o Vietname. Quem tem um orçamento baixo deve contar com isso. Taipé custa quase tanto como cidades europeias, apenas o alojamento e a comida são mais baratos.

Custos em resumo: o meu balanço de 6 semanas

Aqui fica uma discriminação transparente das minhas despesas por seis semanas de trabalho remoto em Taiwan:

  • Voo Viena–Taipé (ida e volta com a China Airlines): 780 euros
  • Alojamento (3 semanas em Taipé, 3 semanas em Hualien/Taroko): 1.120 euros
  • Espaço de coworking (passe mensal + passes diários): 210 euros
  • Alimentação (restaurantes, mercados, cafés): 620 euros
  • Transportes (metro, comboios, autocarros, aluguer de scooter): 180 euros
  • Atividades de lazer (museus, parque nacional, excursões): 150 euros
  • Seguro e outros: 140 euros

Custo total: 3.200 euros por seis semanas. São cerca de 76 euros por dia, um preço justo pela experiência e qualidade de vida que Taiwan oferece.

Taiwan vs. outros destinos de workation

Comparado com os meus três meses em Tbilisi, Taiwan foi claramente mais caro, mas também claramente mais confortável. A infraestrutura, a internet e a segurança são imbatíveis. Em relação a países do Sudeste Asiático como a Tailândia, Taiwan ganha com menos multidões de turistas e um ambiente mais descontraído.

O que torna Taiwan especial é a mistura de modernidade e tradição. Em Taipé trabalha num arranha-céus com internet 5G, ao fim de semana caminha por templos centenários ou por natureza intocada. Esta diversidade não a vivi tão concentrada em mais nenhum lado.

As minhas principais dicas para trabalho remoto em Taiwan

Se planeia usar Taiwan como base para a workation, tenha em conta estes pontos: reserve o alojamento em Taipé através do Airbnb ou de plataformas locais como a 591.com.tw, onde encontra melhores preços do que no Booking.com. Para espaços de coworking recomendo o CIT Taipei ou o The Hive no distrito de Xinyi. Ambos têm tarifas flexíveis e uma comunidade internacional.

À chegada ao aeroporto, arranje um cartão SIM da Chunghwa Telecom. Por 1.000 TWD (30 euros) obtém 30 dias de internet 4G/5G ilimitada com média de 100 Mbit/s. Isso poupa-lhe a procura de Wi-Fi e dá-lhe flexibilidade.

Viaje leve: Taiwan tem inúmeras lojas de conveniência como a 7-Eleven e a FamilyMart, onde pode comprar tudo o que for necessário. Uma lista de bagagem para Work and Travel compacta chega perfeitamente. Eu levava só uma mochila de 40 litros e não senti falta de nada.

Particularidades culturais que me impressionaram

Taiwan como trabalhadora remota: 6 semanas de aventura

Taiwan é um país de cortesia discreta. As pessoas quase não falam no metro, as filas são respeitadas com rigor e ninguém empurra. Esta serenidade passou para o meu trabalho: estava mais produtiva e relaxada do que em cidades europeias.

Impressionou-me especialmente a cultura gastronómica. Os night markets não são apenas atrações turísticas, mas pontos de encontro social para os taiwaneses. No Raohe Street Night Market, em Taipé, provei oyster omelette, pepper buns e bubble tea na sua forma original. Em Taiwan, comer é alegria de viver, não apenas alimentação.

Também a abertura em relação a mulheres que viajam sozinhas foi notável. Em nenhum momento me senti insegura, nem à noite em Taipé nem nas regiões rurais. Segundo o Global Peace Index de 2024, Taiwan é considerado um dos países mais seguros da Ásia.

Voltaria?

Absolutamente. O meu relato de experiência em Taiwan é, no geral, positivo. A combinação de infraestrutura excelente, natureza de cortar a respiração e uma cultura que une calma e eficiência faz de Taiwan o destino ideal para uma workation na Ásia. Não é um destino de saldos, mas vale cada euro.

Da próxima vez exploraria o sul: Tainan, com os seus templos históricos, e Kaohsiung, a segunda maior cidade, com a sua cena artística em ascensão. Também a pequena ilha de Penghu, conhecida pelas suas praias, está na minha lista.

FAQ: perguntas frequentes sobre trabalho remoto em Taiwan

Preciso de visto para Taiwan como cidadã/cidadão português(a)?

Não, os cidadãos da UE, incluindo portugueses e austríacos, recebem à entrada um visto gratuito de 90 dias para fins turísticos. O trabalho remoto para entidades empregadoras estrangeiras é assim permitido, desde que não assuma um emprego local.

Que velocidade tem a internet em Taiwan?

Taiwan tem uma das redes de internet mais rápidas do mundo. Em Taipé, nos espaços de coworking e hotéis, atinge muitas vezes 150 Mbit/s ou mais, e até as regiões rurais oferecem pelo menos 50 Mbit/s.

Taiwan é caro para nómadas digitais?

Em preços, Taiwan situa-se entre o Sudeste Asiático e a Europa Ocidental. Taipé custa quase tanto como cidades da Europa Central, as zonas rurais são bastante mais baratas. Com 1.500 a 2.000 euros por mês, vive-se bem.

Que espaços de coworking existem em Taipé?

Opções populares são o CIT Taipei, o The Hive, o CLBC e o Impact Hub Taipei. A maioria oferece passes diários a partir de 300 TWD (9 euros) e passes mensais a partir de 5.000 TWD (150 euros).

Qual é a segurança de Taiwan para mulheres que viajam sozinhas?

Taiwan está entre os países mais seguros da Ásia. A taxa de criminalidade é baixa e, como mulher a viajar sozinha, nunca me senti insegura, nem nas cidades nem no campo.

Conclusão: Taiwan, um destino de workation subestimado

O meu relato de experiência em Taiwan mostra: este país oferece tudo o que os trabalhadores remotos precisam. Internet rápida, infraestrutura moderna, um ambiente descontraído e, ao mesmo tempo, aventura suficiente para os dias livres. A diferença horária exige adaptação, mas com algum planeamento é bem gerível.

Taiwan já não é um segredo, mas ainda não está sobrelotado. Quem procura uma alternativa à Tailândia ou a Bali e está disposto a investir um pouco mais encontra aqui um paraíso para uma workation na Ásia. Nestas seis semanas não só trabalhei de forma produtiva, como conheci uma cultura que me impressionou de forma duradoura. Taiwan, até breve.